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VozesNaomi Rodrigues
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Estudante de Jornalismo (UFMA) · Imperatriz, MA

Naomi Rodrigues

Hoje não existe nenhuma Naomi que não seja jornalista.

Retrato de Naomi Rodrigues
Bio

Estudante de Jornalismo da UFMA, Naomi constrói sua trajetória por meio de experiências em assessoria de comunicação, produção audiovisual e comunicação institucional. Ex-estagiária da TV Difusora e da Assessoria de Comunicação da UFMA.

Perfil

QUANDO CONTAR HISTÓRIAS TAMBÉM É CONTAR A PRÓPRIA HISTÓRIA

Nem sempre o Jornalismo esteve nos planos de Naomi Rodrigues. Hoje estudante da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), ex-estagiária da TV Difusora e da Assessoria de Comunicação da UFMA, ela conta que a profissão surgiu de forma inesperada em sua vida. Inicialmente, sua aproximação com o curso aconteceu por influência de amigos jornalistas e pelo interesse em pesquisas relacionadas à moda e à estética. No entanto, foi durante as primeiras experiências acadêmicas que descobriu o verdadeiro potencial da comunicação. "Eu percebi que através do jornalismo eu poderia contar a minha história ou a história de outras pessoas", afirma. A partir desse momento, encontrou no Jornalismo uma ferramenta para dar visibilidade a narrativas muitas vezes silenciadas e passou a enxergar a profissão como parte essencial da sua identidade.

Ao longo da graduação, Naomi também precisou enfrentar desafios que ultrapassam as exigências acadêmicas. Como primeira aluna transexual do curso de Jornalismo da UFMA, vivenciou processos de adaptação institucional e ajudou a abrir caminhos para estudantes que vieram depois dela. Questões como a retificação do nome no sistema universitário e o reconhecimento de sua identidade fizeram parte de uma luta que se estendeu por anos. "Eu meio que tive que abrir muito espaço para as pessoas que estão hoje aqui", relata. Além disso, enfrentou dificuldades financeiras que chegaram a interromper temporariamente sua trajetória universitária. Sem uma rede de apoio familiar estruturada, precisou trabalhar para garantir sua permanência na universidade. Ainda assim, destaca o acolhimento recebido de colegas, professores e servidores que caminharam ao seu lado durante esse processo.

A vivência como mulher trans também marcou sua relação com os estudos e com o mercado de trabalho. Naomi afirma que frequentemente sente a necessidade de demonstrar mais competência para conquistar reconhecimento profissional. "Eu senti que teria que ser sempre o dobro, o triplo", revela. Essa percepção acompanha muitas pessoas trans que buscam ocupar espaços historicamente negados. Para ela, o desafio não está apenas em conseguir oportunidades, mas em ser reconhecida pelas suas habilidades e não apenas pela identidade de gênero. Segundo a estudante, a comunicação ainda precisa avançar para que profissionais trans deixem de ser tratados como exceções e passem a ocupar espaços de forma natural e permanente.

As experiências na TV Difusora e na Assessoria de Comunicação da UFMA contribuíram para ampliar sua visão sobre o mercado da comunicação e fortaleceram seu interesse pela produção audiovisual. Naomi destaca que a emissora foi responsável por grande parte da sua formação profissional. "Foi a primeira vez que as pessoas souberam quem era Naomi Rodrigues", afirma. Ao mesmo tempo, as experiências permitiram reflexões importantes sobre representatividade e visibilidade. Embora reconheça avanços na presença de pessoas trans na comunicação, ela acredita que ainda existem barreiras significativas para que profissionais trans ocupem posições de destaque na televisão e em outros meios de comunicação. Mesmo sem definir exatamente qual caminho seguirá após a graduação, Naomi tem um objetivo claro: contribuir para que futuras gerações encontrem um mercado mais inclusivo. "Eu queria que as pessoas olhassem para a gente como profissionais competentes", destaca. Sua trajetória demonstra que ocupar espaços na comunicação também significa abrir portas para que outras pessoas possam sonhar, permanecer e transformar realidades.

Mais do que uma estudante de Jornalismo, Naomi Rodrigues representa uma geração de pessoas trans que desafiam diariamente as barreiras impostas pelo preconceito para ocupar espaços de formação e trabalho. Sua trajetória na UFMA, em Imperatriz, é marcada pela persistência diante das dificuldades e pela busca constante por reconhecimento profissional. Entre salas de aula, experiências em comunicação institucional e passagens pelo telejornalismo, Naomi constrói uma história que evidencia os avanços conquistados, mas também os desafios que ainda permanecem para a população trans no mercado da comunicação.

O jornalismo nem sempre esteve nos seus planos

A conversa
Pergunta 01

O que fez você escolher essa profissão?

Nunca imaginei fazer Jornalismo. Para mim, jornalista era apenas quem aparecia na televisão ou no Jornal Nacional. Mas comecei a conviver com muitas pessoas da área e fui me interessando. O que realmente me conquistou foi perceber que, através do jornalismo, eu poderia contar histórias. Não apenas a minha, mas a de outras pessoas também. Quando entendi o leque de possibilidades que a profissão oferece, me encontrei. Hoje não existe nenhuma Naomi que não seja jornalista.

Pergunta 02

Como foi sua experiência como primeira estudante trans do curso de Jornalismo da UFMA em Imperatriz?

Foi um processo difícil. Eu tive que abrir muitos espaços dentro da universidade. Questões como a retificação do meu nome no sistema demoraram anos para serem resolvidas. Também enfrentei dificuldades relacionadas ao tratamento de algumas pessoas e às questões financeiras. Em vários momentos precisei lutar para permanecer na universidade, mas nunca estive completamente sozinha. Tive pessoas que compraram essa luta comigo e me ajudaram a continuar.

Pergunta 03

Você sente que precisa provar mais do que outras pessoas para ser reconhecida profissionalmente?

Sim. Durante toda a minha vida, enquanto mulher trans, eu senti que precisava ser o dobro ou o triplo para ser reconhecida como pessoa e como profissional. Eu sempre tento entregar os melhores trabalhos e estar à frente das oportunidades porque não quero ser apenas mais uma passagem pela universidade. Quero deixar uma marca. Infelizmente, ainda existe essa sensação de que precisamos provar mais para sermos lembradas e respeitadas.

Pergunta 04

Como você enxerga o mercado de trabalho para pessoas trans na comunicação?

Ainda é um mercado muito limitado quando falamos de pessoas trans ocupando espaços de visibilidade. Existem profissionais trans trabalhando em produtoras, assessorias e redações, mas ainda são poucas as que aparecem como repórteres, apresentadoras ou âncoras. Nós ainda somos muito mais exceção do que regra. Meu desejo é que um dia a nossa presença nesses espaços seja vista com naturalidade.

Pergunta 05

O que as experiências na TV Difusora e na Assessoria de Comunicação da UFMA representaram para sua formação?

A TV Difusora foi uma escola para mim. Foi lá que aprendi muitas coisas e comecei a ser reconhecida profissionalmente. Já a Assessoria de Comunicação da UFMA me ajudou a desenvolver novas habilidades e a ganhar mais confiança. Foram experiências diferentes, mas fundamentais para a profissional que estou me tornando. Hoje sei que quero seguir na área da comunicação digital e da produção audiovisual, aprendendo cada vez mais e buscando meu espaço no mercado.

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Artista, radialista, ativista e liderança política · Imperatriz, MA
Whallassy Oliveira