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VozesLorena Guimarães
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Jornalista e assessora de comunicação · Imperatriz, MA

Lorena Guimarães

Quanto mais pessoas LGBTQIAPN+ ocupam espaços dentro das redações, mais qualificada se torna a cobertura sobre diversidade.

Retrato de Lorena Guimarães
Bio

Jornalista formada em Comunicação Social, Lorena construiu sua trajetória em assessoria e gestão de processos comunicacionais. Ex-assessora de comunicação da UEMASUL, defende uma comunicação mais inclusiva, ética e comprometida com a diversidade.

Perfil

COMUNICAR PARA TRANSFORMAR: A TRAJETÓRIA DE LORENA GUIMARÃES NO JORNALISMO E NA REPRESENTATIVIDADE LGBTQIAPN+

Em um cenário onde a população LGBTQIAPN+ ainda enfrenta barreiras para acessar oportunidades e ocupar posições de destaque, histórias como a de Lorena Guimarães mostram que representatividade vai muito além da visibilidade. Jornalista, comunicadora e ex-chefe da Assessoria de Comunicação da UEMASUL, ela construiu uma trajetória marcada pela competência profissional, mas também pela coragem de existir e ocupar espaços que, durante muito tempo, pareciam inalcançáveis para pessoas da comunidade LGBTQIAPN+.

Natural de Açailândia, Lorena sempre teve uma relação próxima com a comunicação. Ainda criança, preferia assistir telejornais e programas de reportagem a desenhos animados. Na época, sem entender os bastidores da profissão, uma pergunta despertava sua curiosidade: como aquelas pessoas chegavam à televisão? Anos depois, a resposta viria através do Jornalismo.

A escolha pela comunicação aconteceu em 2018, quando encontrou o curso de Jornalismo da UFMA, em Imperatriz. O que parecia apenas uma possibilidade acadêmica logo se transformou em propósito. Desde então, passou por agências de comunicação, televisão, campanhas políticas e assessorias institucionais, consolidando uma carreira construída em diferentes frentes da área. Mas para Lorena, ser jornalista e ser uma mulher LGBTQIAPN+ são dimensões que se cruzam constantemente.

Ela acredita que sua vivência contribuiu para desenvolver uma sensibilidade importante na forma de enxergar determinadas pautas. Essa percepção ficou evidente durante a cobertura de um caso envolvendo um policial militar que sofreu perseguições e violências motivadas por homofobia. Enquanto muitos poderiam interpretar a situação apenas como mais um episódio relacionado às dificuldades da profissão, Lorena percebeu elementos que revelavam uma violência direcionada à orientação sexual da vítima.

Essa experiência reforçou uma convicção que acompanha sua trajetória: a comunicação tem um papel fundamental na construção de uma sociedade mais consciente e menos preconceituosa.

Ao falar sobre a presença de pessoas LGBTQIAPN+ nos espaços profissionais, Lorena reconhece que houve avanços importantes nos últimos anos. Hoje, existem mais referências, mais profissionais assumidos e mais pessoas ocupando lugares de destaque. No entanto, ela também chama atenção para uma realidade que ainda persiste: pessoas LGBTQIAPN+ continuam enfrentando maiores dificuldades para acessar oportunidades de trabalho e reconhecimento profissional. Para ela, a educação continua sendo uma das principais ferramentas de transformação social.

O estudo, segundo Lorena, abre portas, amplia possibilidades e fortalece a autonomia de quem historicamente foi colocado à margem. Por isso, ela incentiva jovens LGBTQIAPN+ a investirem em sua formação e a não desistirem dos seus objetivos, mesmo diante dos obstáculos. Ao longo da carreira, a jornalista também percebeu que a convivência cotidiana pode ser uma poderosa ferramenta de combate ao preconceito. Em vez de esconder quem é, escolheu viver sua identidade de forma natural nos ambientes profissionais. Ao mencionar sua esposa em conversas comuns ou compartilhar aspectos da própria vida sem receio, contribuiu para que colegas passassem a enxergar pessoas LGBTQIAPN+ para além dos estereótipos, para ela, esse processo é tão importante quanto denunciar casos de discriminação.

Na sua visão, a imprensa precisa encontrar um equilíbrio entre denunciar a violência e naturalizar a existência da população LGBTQIAPN+. Afinal, pessoas LGBTQIAPN+ não devem aparecer apenas em reportagens sobre preconceito ou violação de direitos. Também são jornalistas, professoras, pesquisadoras, artistas, médicas, empreendedoras e líderes que constroem diariamente suas histórias e contribuem para a sociedade. Mais do que combater estigmas, Lorena acredita no poder dos exemplos. A ocupação de espaços, a construção de carreiras sólidas e a presença de pessoas LGBTQIAPN+ em posições de destaque ajudam a transformar percepções e inspirar novas gerações.

Sua trajetória é a prova de que representatividade não é apenas estar presente. É abrir caminhos.

Em um Maranhão onde muitas histórias LGBTQIAPN+ ainda permanecem invisíveis, Lorena Guimarães representa uma geração de comunicadoras que transformam sua existência em resistência e sua profissão em ferramenta de mudança. Porque ocupar espaços também é uma forma de se comunicar. E comunicar, muitas vezes, é a maneira mais poderosa de transformar realidades.

Lorena também refletiu sobre os desafios enfrentados por pessoas LGBTQIAPN+ na comunicação, a importância da representatividade e o papel da educação na transformação social

A conversa
Pergunta 01

Como surgiu seu interesse pela comunicação?

Desde criança eu gostava muito de assistir telejornais e programas de reportagem. Eu ficava curiosa para entender como aquelas pessoas chegavam até a televisão. Quando conheci o curso de Jornalismo da UFMA, percebi que aquele poderia ser o meu caminho.

Pergunta 02

De que forma sua identidade como mulher LGBTQIAPN+ influencia sua atuação profissional?

Acredito que minha vivência me tornou mais sensível para determinadas pautas. Em algumas situações, consigo perceber aspectos relacionados à discriminação e aos direitos humanos que talvez passassem despercebidos para outras pessoas.

Pergunta 03

Você acredita que a presença de profissionais LGBTQIAPN+ transforma a forma como essas pautas são abordadas pela mídia?

Com certeza. Quanto mais pessoas LGBTQIAPN+ ocupam espaços dentro das redações e dos setores de comunicação, mais qualificada se torna a cobertura sobre diversidade. São experiências que ajudam a ampliar o olhar sobre essas questões.

Pergunta 04

Que conselho você deixaria para jovens LGBTQIAPN+ que desejam seguir carreira na comunicação?

Invistam na educação. O estudo abre portas e cria oportunidades. Muitas vezes o caminho será mais difícil, mas é importante acreditar no próprio potencial e não desistir dos seus sonhos.".

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Radialista, comunicador e artista · Imperatriz, MA
Evaldo Lima