Antes de conquistar espaço nos microfones e se tornar uma voz conhecida do rádio maranhense, Evaldo Lima encontrou na arte os primeiros caminhos para a comunicação. Foi nos palcos e na música que começou a desenvolver a habilidade de se conectar com o público, sem imaginar que, anos depois, estaria construindo uma carreira sólida em um dos meios de comunicação mais tradicionais do país. A entrada no rádio aconteceu de forma inesperada. Após atuar no teatro e na música, Evaldo recebeu um convite para participar de um programa radiofônico. Pouco tempo depois, surgiu a oportunidade de atuar como repórter da Copa do Trabalhador, experiência que marcou o início de sua trajetória profissional na comunicação, o caminho, no entanto, não foi livre de obstáculos.
Como homem gay, Evaldo precisou enfrentar preconceitos e desconfianças em um ambiente que, por muito tempo, foi marcado por padrões rígidos sobre quem poderia ocupar espaços de visibilidade. Segundo ele, parte da resistência veio justamente por não corresponder ao perfil tradicional que muitos profissionais mais antigos esperavam encontrar no meio da comunicação.
Durante os primeiros anos de carreira, ouviu críticas, recebeu negativas e precisou provar constantemente sua competência. Enquanto alguns acreditavam que sua presença era apenas uma brincadeira ou algo passageiro, ele seguia construindo sua trajetória com profissionalismo e dedicação, com o passar do tempo, o talento falou mais alto.
Hoje, Evaldo é reconhecido pelo público não apenas pelo trabalho desenvolvido no rádio, mas também pela autenticidade que transmite em cada interação. Sua voz tornou-se familiar para muitas pessoas, seja através da programação radiofônica ou das redes sociais, onde mantém uma presença próxima e espontânea. Para ele, não existe separação entre identidade e profissão.
A forma como se comunica está diretamente ligada à pessoa que é. Sua espontaneidade, seu jeito de falar e sua relação com o público fazem parte da construção de uma identidade profissional que não esconde quem ele é para ser aceito. Essa postura também ajuda a fortalecer algo que considera essencial: a representatividade.
Na avaliação de Evaldo, a presença de pessoas LGBTQIAPN+ nos meios de comunicação tem um papel fundamental na construção de referências para novas gerações. Afinal, quando alguém vê uma pessoa parecida consigo ocupando determinado espaço, passa a acreditar que também pode chegar lá. "Quem não tem referência, cria essa referência", resume.
Nos últimos anos, ele percebe mudanças importantes no setor. Para o radialista, a expansão dos cursos superiores na área da comunicação e a atuação de entidades profissionais contribuíram para ampliar a presença da diversidade nos espaços midiáticos. Segundo ele, um novo modo de fazer comunicação está surgindo, mais aberto à inclusão e às diferentes vivências da sociedade ainda assim, reconhece que há desafios a serem superados.
Por isso, quando fala com jovens LGBTQIAPN+ que sonham em trabalhar na comunicação, sua principal mensagem é sobre coragem. Coragem para enfrentar críticas, para persistir diante das dificuldades e, sobretudo, para não abrir mão da própria identidade.
Para Evaldo, o sucesso profissional não deve exigir que alguém esconda quem é, sua trajetória mostra justamente o contrário: foi sendo autêntico que encontrou seu espaço, conquistou reconhecimento e se tornou referência para outras pessoas da comunidade. Em um cenário onde a representatividade ainda é uma construção em andamento, a história de Evaldo Lima reforça uma verdade simples, mas poderosa: ocupar espaços também é uma forma de transformar realidades. E, muitas vezes, uma voz pode abrir caminho para muitas outras.
Ao longo da conversa, Evaldo destacou como a comunicação se tornou uma extensão da sua própria trajetória de vida. Entre os palcos, os estúdios de rádio e os desafios enfrentados ao longo da carreira, ele construiu uma identidade profissional marcada pela autenticidade e pela proximidade com o público. Para o radialista, a diversidade precisa estar presente não apenas nos discursos, mas também nos espaços de visibilidade, permitindo que diferentes histórias sejam contadas e reconhecidas. Confira alguns trechos da entrevista