A relação entre comunicação, direitos humanos e diversidade tem ocupado espaço crescente nos debates contemporâneos. Em Imperatriz-MA, uma das vozes que atuam diretamente nessa discussão é a da advogada Áshira Morais de Sousa, presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção Imperatriz.
Reconhecida pela atuação em defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+, Áshira acompanha de perto os desafios enfrentados pela comunidade e a forma como essas questões são apresentadas pelos meios de comunicação. Para ela, apesar das limitações existentes no campo das políticas públicas voltadas para a diversidade sexual e de gênero, o jornalismo local tem desempenhado um papel relevante na promoção do debate público.
Segundo a advogada, a cobertura realizada pela imprensa foi importante para dar visibilidade às ações desenvolvidas pela Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB, contribuindo para ampliar o acesso da sociedade às discussões sobre direitos humanos e cidadania, nesse contexto, Áshira destaca que a comunicação exerce uma função social que vai além da transmissão de informações, atuando também na denúncia de violações de direitos e na promoção da conscientização social, Apesar dos avanços observados, a advogada identifica desafios que ainda precisam ser superados. Entre eles, destaca a falta de letramento sobre diversidade sexual e de gênero, problema que, segundo ela, não está restrito ao jornalismo, mas presente em diversos setores da sociedade.
Para Áshira, a ausência de conhecimento sobre conceitos básicos relacionados à identidade de gênero e orientação sexual pode resultar em abordagens inadequadas, capazes de reforçar preconceitos e constrangimentos. Questões como o uso correto dos pronomes e o respeito à forma como cada pessoa deseja ser identificada são apontadas como elementos fundamentais para uma comunicação ética e inclusiva.
A advogada defende que o respeito à identidade das pessoas deve fazer parte da prática profissional de jornalistas e comunicadores, especialmente em coberturas que envolvam populações historicamente vulnerabilizadas, outro aspecto destacado por Áshira refere-se aos impactos causados por abordagens sensacionalistas. De acordo com ela, quando veículos de comunicação utilizam imagens, narrativas ou enquadramentos que expõem pessoas LGBTQIAPN+ de maneira depreciativa, ocorre uma violação de direitos fundamentais, especialmente daqueles relacionados à dignidade da pessoa humana, à honra e à imagem.
Ao recordar coberturas realizadas em décadas anteriores, a advogada menciona que mulheres trans e travestis frequentemente eram retratadas de forma caricata, sem que fossem considerados os contextos de exclusão social, violência e vulnerabilidade que atravessam suas experiências, nessas situações, a comunicação deixa de cumprir sua função informativa e passa a reproduzir estigmas que contribuem para a manutenção de preconceitos.
Ao refletir sobre a realidade do interior maranhense, Áshira ressalta que a atuação ética da imprensa torna-se ainda mais necessária em contextos marcados por conservadorismo e desinformação. Para ela, jornalistas devem buscar equilíbrio na construção das narrativas, evitando tanto a espetacularização dos fatos quanto a banalização das violações de direitos. Segundo a advogada, a responsabilidade social da comunicação exige sensibilidade, compromisso com a verdade e respeito às pessoas envolvidas nas reportagens.
Outro ponto considerado fundamental é o conhecimento da legislação. Áshira argumenta que jornalistas que atuam na cobertura de temas relacionados aos direitos humanos precisam compreender os dispositivos legais que envolvem os casos abordados. Esse conhecimento contribui para uma cobertura mais qualificada e permite que a população tenha acesso a informações corretas sobre seus direitos, a presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Imperatriz destaca ainda que a informação possui papel estratégico na promoção da cidadania. Para ela, uma comunicação responsável é capaz de combater preconceitos, ampliar direitos e fortalecer a democracia.
Dessa forma, a trajetória de Áshira Morais evidencia a importância do diálogo entre comunicação e direitos humanos. Sua atuação demonstra que o acesso à informação de qualidade e o compromisso ético dos profissionais da comunicação são elementos fundamentais para a construção de uma sociedade mais inclusiva, plural e respeitosa com a diversidade.
A partir de sua atuação como advogada e presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Subseção Imperatriz, Áshira Morais de Sousa acompanha de perto os desafios enfrentados pela população LGBTQIAPN+ no acesso aos direitos e na luta por reconhecimento. Durante a entrevista, ela destacou a importância do jornalismo na promoção da cidadania, refletiu sobre os impactos da desinformação e reforçou a necessidade de uma cobertura comprometida com a ética, os direitos humanos e a dignidade das pessoas retratadas. Para ela, comunicação e justiça caminham juntas quando o objetivo é combater preconceitos e fortalecer a democracia.