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VozesDra. Áshira Morais de Sousa
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InspiraçãoAdvogada e defensora de direitos humanos · Imperatriz, MA

Dra. Áshira Morais de Sousa

A cidadania LGBTQIAPN+ se conquista onde o Direito, a educação e o ativismo se encontram.

Retrato de Dra. Áshira Morais de Sousa
Bio

Advogada, defensora dos direitos humanos e presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Subseção Imperatriz, Áshira é uma das principais vozes na defesa da cidadania e dos direitos da população LGBTQIAPN+ na região.

Perfil

COMUNICAR COM RESPEITO É GARANTIR DIREITOS: A LUTA DE ÁSHIRA MORAIS PELA DIVERSIDADE

A relação entre comunicação, direitos humanos e diversidade tem ocupado espaço crescente nos debates contemporâneos. Em Imperatriz-MA, uma das vozes que atuam diretamente nessa discussão é a da advogada Áshira Morais de Sousa, presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção Imperatriz.

Reconhecida pela atuação em defesa dos direitos da população LGBTQIAPN+, Áshira acompanha de perto os desafios enfrentados pela comunidade e a forma como essas questões são apresentadas pelos meios de comunicação. Para ela, apesar das limitações existentes no campo das políticas públicas voltadas para a diversidade sexual e de gênero, o jornalismo local tem desempenhado um papel relevante na promoção do debate público.

Segundo a advogada, a cobertura realizada pela imprensa foi importante para dar visibilidade às ações desenvolvidas pela Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB, contribuindo para ampliar o acesso da sociedade às discussões sobre direitos humanos e cidadania, nesse contexto, Áshira destaca que a comunicação exerce uma função social que vai além da transmissão de informações, atuando também na denúncia de violações de direitos e na promoção da conscientização social, Apesar dos avanços observados, a advogada identifica desafios que ainda precisam ser superados. Entre eles, destaca a falta de letramento sobre diversidade sexual e de gênero, problema que, segundo ela, não está restrito ao jornalismo, mas presente em diversos setores da sociedade.

Para Áshira, a ausência de conhecimento sobre conceitos básicos relacionados à identidade de gênero e orientação sexual pode resultar em abordagens inadequadas, capazes de reforçar preconceitos e constrangimentos. Questões como o uso correto dos pronomes e o respeito à forma como cada pessoa deseja ser identificada são apontadas como elementos fundamentais para uma comunicação ética e inclusiva.

A advogada defende que o respeito à identidade das pessoas deve fazer parte da prática profissional de jornalistas e comunicadores, especialmente em coberturas que envolvam populações historicamente vulnerabilizadas, outro aspecto destacado por Áshira refere-se aos impactos causados por abordagens sensacionalistas. De acordo com ela, quando veículos de comunicação utilizam imagens, narrativas ou enquadramentos que expõem pessoas LGBTQIAPN+ de maneira depreciativa, ocorre uma violação de direitos fundamentais, especialmente daqueles relacionados à dignidade da pessoa humana, à honra e à imagem.

Ao recordar coberturas realizadas em décadas anteriores, a advogada menciona que mulheres trans e travestis frequentemente eram retratadas de forma caricata, sem que fossem considerados os contextos de exclusão social, violência e vulnerabilidade que atravessam suas experiências, nessas situações, a comunicação deixa de cumprir sua função informativa e passa a reproduzir estigmas que contribuem para a manutenção de preconceitos.

Ao refletir sobre a realidade do interior maranhense, Áshira ressalta que a atuação ética da imprensa torna-se ainda mais necessária em contextos marcados por conservadorismo e desinformação. Para ela, jornalistas devem buscar equilíbrio na construção das narrativas, evitando tanto a espetacularização dos fatos quanto a banalização das violações de direitos. Segundo a advogada, a responsabilidade social da comunicação exige sensibilidade, compromisso com a verdade e respeito às pessoas envolvidas nas reportagens.

Outro ponto considerado fundamental é o conhecimento da legislação. Áshira argumenta que jornalistas que atuam na cobertura de temas relacionados aos direitos humanos precisam compreender os dispositivos legais que envolvem os casos abordados. Esse conhecimento contribui para uma cobertura mais qualificada e permite que a população tenha acesso a informações corretas sobre seus direitos, a presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Imperatriz destaca ainda que a informação possui papel estratégico na promoção da cidadania. Para ela, uma comunicação responsável é capaz de combater preconceitos, ampliar direitos e fortalecer a democracia.

Dessa forma, a trajetória de Áshira Morais evidencia a importância do diálogo entre comunicação e direitos humanos. Sua atuação demonstra que o acesso à informação de qualidade e o compromisso ético dos profissionais da comunicação são elementos fundamentais para a construção de uma sociedade mais inclusiva, plural e respeitosa com a diversidade.

A partir de sua atuação como advogada e presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB Subseção Imperatriz, Áshira Morais de Sousa acompanha de perto os desafios enfrentados pela população LGBTQIAPN+ no acesso aos direitos e na luta por reconhecimento. Durante a entrevista, ela destacou a importância do jornalismo na promoção da cidadania, refletiu sobre os impactos da desinformação e reforçou a necessidade de uma cobertura comprometida com a ética, os direitos humanos e a dignidade das pessoas retratadas. Para ela, comunicação e justiça caminham juntas quando o objetivo é combater preconceitos e fortalecer a democracia.

A conversa
Pergunta 01

Como você avalia o papel do jornalismo local na construção ou desconstrução de estigmas sobre pessoas LGBTQIAPN+?

Primeiro, eu quero parabenizar o jornalismo de forma geral. Imperatriz, apesar de ainda enfrentar dificuldades em relação às políticas públicas voltadas para a comunidade LGBTQIAPN+, tem contado com uma imprensa que vem cumprindo um papel social importante. O jornalismo tem nos ajudado inclusive a denunciar crimes praticados contra a comunidade e contribuiu para dar visibilidade às pautas da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB.

Pergunta 02

Quais são os erros mais recorrentes quando a cobertura jornalística envolve pessoas LGBTQIAPN+?

Existe uma grande dificuldade que não é exclusiva do jornalismo: a falta de letramento. Muitas pessoas ainda não sabem como tratar a comunidade de forma respeitosa. Às vezes, não sabem qual pronome utilizar ou como se referir a uma pessoa trans. E não há problema em perguntar. O importante é ter respeito. Isso não é militância, é ética.

Pergunta 03

Quando a mídia reproduz discursos discriminatórios ou trata casos de violência de forma sensacionalista, quais direitos são violados?

São violados direitos fundamentais e direitos da personalidade, como o direito à imagem, à honra e à dignidade. Durante muito tempo, vimos coberturas que tratavam pessoas trans como objeto de curiosidade ou até de deboche. Em vez de abordar as dificuldades e as violações de direitos, transformavam essas pessoas em espetáculo. Isso é extremamente prejudicial e contribui para reforçar preconceitos.

Pergunta 04

Quais cuidados éticos são indispensáveis para uma cobertura responsável sobre a população LGBTQIAPN+?

Eu acredito muito no equilíbrio. É preciso ser ousado sem ser afoito. O jornalista precisa ter sensibilidade para abordar esses temas sem transformar situações sérias em algo meramente sensacionalista. É necessário ouvir, compreender o contexto e tratar as pessoas com respeito. A temperança é fundamental tanto para quem comunica quanto para quem está sendo ouvido.

Pergunta 05

Que orientação você deixaria para estudantes e profissionais da comunicação que desejam produzir uma cobertura mais humanizada?

O primeiro cuidado é estudar. É conhecer a legislação, os direitos humanos e as normas que envolvem aquela pauta. O jornalista tem uma função social muito importante e precisa estar preparado para lidar com temas complexos. Quanto mais conhecimento ele tiver, melhor será sua capacidade de informar a sociedade de forma responsável e contribuir para a defesa dos direitos das pessoas.

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Jornalista, apresentadora e repórter · Rio Grande do Norte
Mell Almeida